Seedorf, a estrela solitária

O futebol e o mundo precisam de mais Seedorfs - Foto: Vitor Silva / SSPress

O futebol e o mundo precisam de mais Seedorfs – Foto: Vitor Silva / SSPress

Sou fã daqueles jogadores que são mais do que jogadores, daqueles que sabem que o futebol – ou qualquer outra coisa que mexe com o coração – é maior do que a arte em si, daqueles que entendem que bola, campo e, até mesmo, gol, é apenas parte de um mundo muito maior. Seedorf é um desses caras.

Perceber a sua grandiosidade sem soberba é outra virtude que me chama a atenção. Posso saber que sou bom, muito bom mesmo, mas a maneira como encaro as minhas qualidades pode jogar tudo por água abaixo.

Entender que viver o futebol, um clube, e a paixão toda que o envolve, é muito mais do que beijar o escudo na apresentação, ou fazer um gol e ir pra galera, repetindo gestos tradicionais das organizadas. Isso é publicidade barata, pobre, rasa. Viver a paixão do futebol é dar ao torcedor a sensação de que o ingresso valeu cada gota de suor derramada. Dane-se a vitória ou a derrota, viver a paixão do futebol é se doar, com o perdão do clichê, de corpo e alma.

Mais ainda: é saber que tem gente ali do seu lado que precisa de você. É ter humildade para dar ouvidos a quem precisa falar. É ter consciência de que o aprendizado é eterno, mesmo quando seu papel é de professor.

E, no meio disso tudo, rir, se divertir, curtir. Quem sabe, chorar.

“Na vida, quando a oportunidade vem, você tem que pegar. E o futebol dá muitas oportunidades de crescer como profissional e como homem. O que construímos aqui juntos é o que me dá tranquilidade para este novo desafio. Cada um de vocês me fez pensar e raciocinar. Agradeço a todos pelo apoio e por aceitarem meu jeito de ser. O mais importante foi a mentalidade que construímos. Meu sonho é sempre ver esse espírito vencedor. Tinha muita vontade de ajudar mais e tenho orgulho de ter feito parte deste grupo.”

Seedorf aproveitou todas as oportunidades que teve não apenas em campo, mas muito mais fora dele. Desbravou o Brasil de uma maneira inesperada, em um clube inesperado. É, acima de tudo, um cara diferente. O adeus emocionado comprova isso: ele é uma estrela. Uma estrela solitária.

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