Jones x Belfort no UFC 152 e o grande culpado do dia: Dana White

Jones x Belfort, UFC 152 - Reprodução/UFC.com

Jones x Belfort, UFC 152 – Reprodução/UFC.com

Depois da desistência de Dan Henderson, por lesão…

Depois de Jon Jones não aceitar o combate com Chael Sonnen…

Depois de Lyoto Machida ser anunciado como rival de Jones…

Veio a bomba. Em plena madrugada brasileira, explodiu a notícia de que Lyoto acabara de desistir de enfrentar o campeão dos meio-pesados. Eis que surge Vitor Belfort como uma espécie de salvador da pátria, e o UFC confirma o carioca como o rival de Jones no UFC 152, dia 22 de setembro, em Toronto, no Canadá.

Segundo o site oficial da entidade, a nova mudança foi mais um capítulo da “série de eventos bizarros do dia”. Muita gente, muita gente mesmo, desceu a lenha em Jones. Mas, vamos por partes na “série de eventos bizarros do dia”:

Episódio 1: Dan Henderson – o cara se machucou a oito dias do evento, paciência. Uma lesão no joelho em qualquer garotão inspira cuidados. Em um cara de 42 anos, por melhor que seja o seu corpo e sua forma física, é algo, no mínimo, preocupante. Ou seja, culpa zero para o veterano na história.

Episódio 2: Chael Sonnen – sem Hendo, Chael, que já estava falando um monte contra Jones, apareceu como candidato à vaga. Dana White gostou da ideia, afinal, colocaria um tempero a mais no evento. Papo daqui, papo de lá, e a bola passou para as mãos do campeão.

Episódio 3: Jon Jones – Com a bola na mão, Jones conversa com seu staff. Entra em cena um cara chamado Greg Jackson, chefão da equipe que cerca o campeão. O técnico fura a bola cheia de Dana e Chael e diz “não”.

Episódio 3: Dana White – O dono do UFC fica puto, faz biquinho, fala um monte e cancela o UFC 151, primeira vez que algo do tipo acontece em 11 anos. Vou passar rapidamente por esse ponto, mas volto no assunto (abaixo, sob o título “A culpa de Dana”, tem toda a minha opinião sobre o tema). Em seguida, surge o nome de Lyoto, em nova data, em novo evento. Pôster feito, notícia confirmada, vamos que vamos.

Episódio 4: Lyoto Machida – Há exatos 20 dias, no UFC on Fox 4, Lyoto nocauteou Ryan Bader. Bela luta do brasileiro, bacana, legal, mais uma vez o brasileiro apareceu como um contender. Mas, quem se prepara para uma competição, sabe que, ao fim dela, no período de descanso, descanso é descanso. E foi isso que Lyoto fez. Apenas para constar, nos últimos dias, ele postou em seu Twitter oficial, @lyotomachidafw, dia 19, uma foto de seu churrasco à brasileira nos EUA. No mesmo dia, publicou que estava gravando um comercial (aqui, aqui e aqui, nas duas últimas, já no dia 20). No dia 22, já em Belém, dois posts, “Já estou na área galera,preparem se pra inauguração da nova academia na pedreira!!!!” e “Na Pedro Miranda!!Faltam poucos dias!!!”. Pedro Miranda é uma avenida em Belém, localizada no bairro Pedreira. Churrasco e comercial nos EUA, lançamento da academia em Belém. Acho que deu para perceber, apenas batendo o olho nos últimos eventos, que treinar não estava muito no calendário de Lyoto. E não tem nada de mal nisso, afinal, o cara lutou outro dia. Daí, é extremamente plausível a decisão de, depois do “sim”, pensar bem e falar um “não”.

Episódio 5: Vitor Belfort – O “não” de Lyoto não vazou para a imprensa e circulou, ao que parece, apenas nos bastidores do MMA. Pelo menos, aqui do Brasil, ninguém falava nisso. Mas, na madrugada, o próprio Vitor foi o primeiro a confirmar a desistência do seu compatriota e anunciar que enfrentaria Jones. Mais uma vez, o meio de comunicação foi o Twitter, em seu perfil oficial, @vitorbelfort. Abaixo, a mensagem com a última mudança de rumos do evento:

Mais ou menos ao mesmo tempo, Ariel Helwani, o melhor repórter do planeta quando o assunto é MMA, confirmava a mudança no conceituado site MMAFighting.com. A fonte do cara era outra, Dana White. Segundo o que Ariel apurou com o chefão, Lyoto achava que precisava de mais tempo para treinar e, durante o dia, Belfort já havia se oferecido para a vaga. Com a desistência de Lyoto, ao que parece, o único lutador de alto nível disponível era o carioca. E o martelo foi batido.

No meio disso tudo, quem ouviu poucas e boas foi Jon Jones, praticamente crucificado por Dana e pelos irmãos Fertitta, os caras que mandam no UFC. Pelo que falaram, deu até a impressão que a ideia era encerrar o contrato do campeão. Afinal, muita grana foi perdida com o cancelamento do evento. Mas, olhando por outros ângulos, será que Jones é o único culpado de tudo isso?

A culpa de Dana
Gosto de Dana. Tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente no UFC 100, em 2009, e o o cara dá entrevistas belíssimas, sinceras. Mas, nessa, sou obrigado a discordar de praticamente tudo que ele falou e, principalmente, fez.

O primeiro fato é: por que cancelar um evento inteiro apenas por causa da desistência de um dos lutadores do card principal? Ok, é a luta principal, um contender ao título se machucou, mas, peraí. O evento em si é tão fraco assim que nenhuma outra luta poderia assumir a vaga? Olhando bem, é isso mesmo, é fraco pra caramba. O co-main event era Jake Ellenberger versus Jay Hieron, e ouço daqui vocês pensando “quem contra quem?”. Pois é, a aposta foi tamanha em Jones x Hendo que esqueceram das outras lutas. Culpa de Dana? Sim. Culpa de Joe Silva, o matchmaker, o responsável por “casar” as lutas do UFC? Sim também.

Mas a chefia errou mais, e a culpa de Dana não para por aí.

O grande motivo de o card ser fraco atende pelo nome de “ganância” e não se admire se cruzar com outros cards bem “meia-bocas” por aí. O UFC tem contrato com 352 lutadores (61 brasileiros), e essa galera tem que trabalhar, ou seja, entrar no octógono. Assim, a companhia que fazia 12, 14 eventos por ano, agora trabalha, por enquanto, com 31 eventos apenas em 2012. O dobro, quase o triplo do que era há três, quatro anos. O negócio cresceu, inchou, e o jeito é fazer evento atrás de evento, mesmo com cards péssimos encabeçados por uma grande luta, como era o UFC 151. Claro, o card com nomes ruins pode acabar se tornando uma noite memorável de MMA, mas, no caso do UFC 151, deu para perceber que os outros nomes escalados eram tão fracos que o evento inteiro acabou cancelado, ou seja, nem a chefia gostou do que tinha pela frente.

Uma outra saída seria mudar apenas a luta principal e manter o restante do card. Seria um UFC ruim? Muita gente ia reclamar? Nêgo não ia comprar um PPV sequer? Dane-se. Aconteceu um imprevisto, mas nós, do UFC, vamos arcar com as consequências, inclusive financeiras, e vamos tocar o barco. Vai ter 15 caras na torcida? Beleza, encaramos essa. Mas acho que nem isso foi cogitado. Seria até uma maneira de respeitar o torcedor, aquele cara que se programou, que comprou ingresso, que comprou passagem, que reservou hotel. Sei lá, enche o torcedor de mimos, dá camiseta, boné, desconto de 70% na próxima compra de ingresso, paga a estadia do cara (consta que o Mandalay Bay, onde seria o evento, é da família Fertitta, ou seja, libera quarto e comida de graça pra galera, além de fichas pro cara se divertir no cassino). As opções para agradar são imensas. Garanto que, com atitudes assim, o prejuízo poderia ser financeiro, mas a imagem de uma “companhia do bem” ficaria inabalada. E mais: o torcedor seria tratado com um respeito ímpar. Mas…

Outro fator atende pelo nome de Sonnen. O cara pode não ser o melhor do mundo, mas não é um lutador que cai tão fácil. Vide Anderson Silva volume 1, Anderson Silva primeiro round – volume 2. Você pode dizer que o Spider destruiu o falastrão, e foi isso mesmo, mas pode confessar, ninguém está ouvindo: deu um friozinho na barriga quando ele comandou o primeiro assalto da última luta, não? Passou um filminho na cabeça, né? Somado a isso, se preparar para pegar o Hendo, um cara que adora a trocação e é bom nela, é uma coisa. Pegar Sonnen, um cara de chão, atuando num peso acima do dele, é outra. E, se foi dada a opção de Jones dizer “não”, por que tanto alarde, hein, mister Dana?

Tem mais, o possível combate com Sonnen só teria um perdedor: Jones. Se ganhasse, não teria feito mais do que a obrigação de derrotar um cara que subiu de peso apenas para essa luta e que entrou na fila rumo ao título principalmente pelo excelente trabalho de falar – muito e muito e muito – e promover muito bem as suas aparições. Se perdesse, a imagem de Jones ficaria, aí sim, extremamente arranhada: como um campeão pode ser derrotado por um cara que subiu de peso e blábláblá? Pintaria a dúvida: será que ele é tão bom assim? E garanto, garanto mesmo, que viria a frase: “Por que Jones aceitou esse tipo de luta?”.

Aí, Dana joga tudo no ventilador e diz coisas do tipo:

“Chael Sonnen aceitou a luta com Jon Jones na última noite. Lá pelas oito ou nove horas da noite de ontem, aconteceu o que achei que não aconteceria em milhões de anos. Jon Jones disse ‘eu não enfrentarei Chael Sonnen com um aviso a oito dias do evento’. Isso nunca tinha acontecido com um campeão do UFC.”

“Nunca um lutador se recusou a enfrentar outro. Especialmente um cara, que não é apenas campeão mundial, mas supostamente é tido por muitos como o melhor pound-for-pound do mundo. Não posso fazer ninguém lutar contra ninguém. Não posso dizer ‘você vai lutar contra tal cara neste sábado e você tem que fazer isso’. Ou você é um lutador ou não é. Eu não posso te obrigar a lutar, mas não lutar, provavelmente, não é uma boa ideia.”

“Não acredito que essa é uma decisão que vai tornar Jon Jones popular com os torcedores, patrocinadores, distribuidores de TV a cabo, executivos de redes de TV ou outras figuras. Jon Jones tem sido um campeão que não é muito popular. Acho que algo como isso não vai fazer maravilhas com a sua popularidade.”

“Esse cara é um assassino do esporte. Greg Jackson nunca mais deveria ser entrevistado na vida, só por um psiquiatra.”

“Nós perdemos um monte de dinheiro. Dinheiro que já havia sido gasto. Estamos há oito dias do evento. O quanto isso vai nos machucar eu ainda não sei, pois é a primeira vez que acontece.”

“Quanto ao relacionamento com a gente, eu e Fertitta [Lorenzo] estamos enojados.”

Peraí, peraí, peraí… Como assim? Até outro dia, Jones era o queridinho da Zuffa, do UFC, do MMA, de todo o mundo. Ou não foi ele quem entrou com uniforme patrocinado justamente pelo UFC contra Rashad Evans em abril? A marca UFC, essa mesma, poderosa, que movimenta bilhões, pagou uma bolsa extra para ter o lutador que era a “cara” da franquia lutar usando o logotipo, não?

Peraí, peraí, peraí… Do dia 5 de fevereiro de 2011, quando ganhou de Ryan Bader, até 22 de setembro deste ano, serão 595 dias. Nesse período, Jones terá lutado seis vezes, contando Bader e já contabilizando Belfort. Em média, uma luta a cada 99 dias. E tudo lutinha tranquila: Bader, Shogun, Rampage, Lyoto, Rashad, Belfort. Uma pelo cinturão, quatro defesas de título. Desses, só Bader não teve o gostinho de ser campeão. Alguém, nos últimos tempos, entrou mais vezes no octógono do que Jones, com a responsabilidade de, aos 25 anos, derrubar todos esses cascas grossas?

Peraí, peraí, peraí… Ah, claro, eu ia me esquecendo: em todos esses eventos, há compromissos comerciais, não? Entrevistas coletivas, patacoadas de patrocinadores, um monte de perda de tempo para o atleta, mas que, no fim, gera dinheiro para o lutador (uma parte) e para o UFC (a maior parte do montante). Jones estava em todos eles, não? Fora as vezes em que apareceu no telão em algum UFC em que não estava lutando, inclusive aqui, no Rio, fazendo graça com a camisa da seleção brasileira. Esqueceu de tudo isso, Dana?

Peraí, peraí, e prometo que é o último peraí… Não foi Jones quem, outro dia, assinou contrato com a Nike e se tornou o primeiro, repito, o primeiro lutador do MMA da história a fechar com a superhipermega empresa de material esportivo? Ok, Anderson Silva luta com Nike, mas o contrato é com o Corinthians, não? Mas, voltando ao Jones, será que a Nike, aquela que tem contrato com caras como Michael Jordan e Ronaldo, apenas para citar dois exemplos dos mais simplórios, ia entrar no MMA assinando o primeiro contrato da história com um lutador sem prestígio ou popularidade?

O que era para ser um UFC se tornou, pra mim, uma tese que envolve organização, marketing, contratos de publicidade, obrigações de atletas, enfim, uma coisa de uma proporção gigantesca. Para quase todo o mundo, o grande culpado atende pelo nome de Jon Jones. Para mim, ele é apenas parte do processo e, no fim, o cara que mais tinha a perder. Dana, um cara que eu admiro, e várias outros integrantes do UFC erraram na condução e na solução do problema. Agora, terão de se contentar com Jones x Belfort, e meu palpite, desde já, é que o campeão continuará o mesmo. E aí, como será o clipe de apresentação de Jones? Será que a galera ainda vai encher a bola dele? Mais: será que Dana ficará feliz em colocar o cinturão mais uma vez em Jones? Cenas imperdíveis nos próximos capítulos…

P.S.: Nunca escrevi um post tão grande nesse blog, nunca demorei tanto para escrever um post. Afinal, são 5h26 da matina. Por isso, não vou reler. Se alguém chegou até aqui, por favor, me avise dos erros de português e digitação. Sabe como é, a essa altura do campeonato, quem está nocauteado sou eu.

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5 Comentários

Arquivado em Lutas, MMA

5 Respostas para “Jones x Belfort no UFC 152 e o grande culpado do dia: Dana White

  1. Pingback: UFC 151: o evento que não aconteceu e que não tem hora para acabar | Blog do Zanei

  2. Luciano Dalmario

    Realmente o Dana tem sua culpa, só que o que vc disse sobre o nivel dos eventos todo torcedor de carteirinha ja sabe. Uma luta conhecida e o resto de caras que recebem bolsas de 10 mil pela luta e mais nada. O negocio que vc esqueceu de dizer é que a fama do UFC foi criada em cima das costas de lutadores que se sacrificaram, lutaram contundidos contra rivais de ultima hora. Nos primeiros UFC o cara fazia todas as lutas em uma unica noite sem distinção de peso. Royce Gracie que o diga. O que aconteceu no UFC 151 foi ótimo, pois eles bajulam demais Jonh jones. E as lutas do UFC estão virando uma verdadeira armação. Belfort aceitou a luta apenas pela grana e pela promoção de marketing. Só vai servir pra aumentar ainda mais a fama de Jonh jones. é só armação. O Belfort só ganha se der muita sorte, torço por ele, seria maravilhovo velo com o cinturão.. mais é muito dificil, não que jonh jones seja tão bom assim.. mais é que Belfort não luta nada mais ultimamente. Acredito que o Glover Teixeira, O shogum e Lyoto tem mais chances reais. Mais afinal vamos torcer. Luta é luta e tudo pode acontecer.

    • Olá, Luciano,
      Agradeço pela leitura e pelas observações!

      Só discordo da comparação com a, digamos, “Era Gracie”. Claro, naquela época a coisa era mais brutal, tanto que o termo MMA não existia, mas sim o vale-tudo, e valia praticamente tudo mesmo.

      Por essa diferença histórica, de época mesmo, e de se tratar de outro esporte, acho que não cabe muito bem a comparação.

      Mas, é claro, concordo contigo, nos primórdios do UFC, os caras lutavam até simplesmente não aguentarem mais fisicamente. Que o diga o próprio Royce, que desistiu do UFC 3 justamente por mal conseguir ficar em pé depois da épica luta contra o Kimo Leopold.

      Abração

  3. Bruno

    Acredito que foi o melhor texto que eu li sobre o ocorrido, muito bem argumentado. Eu tinha comentado em um fórum, o problema principal foi que o evento era muito fraco… sem a luta principal, até dava pra ser um ufc on FX/Fox, mas agora já era tarde. Tem que ter pelo menos 3 lutas boas por evento, o UFC errou muito no card do 151. Mas no meu ponto de vista, o barco já estava afundando por erro do ufc, OK. Porém o Jones é um lutador, que nem faz muito tempo que luta profissionalmente e já está com muita frescurite… ele é o que mais tinha a perder, verdade, mas as vezes você precisa “aceitar uma pelo time”. Sim, pelo time, ele não vive só das lutas. Sonnen era uma luta fácil para o “grande campeão dos bago roxo de todos os tempos”. Tinha uma chance do Sonnen ganhar? Claro. Mas bem menos do que todos os outros que já tinham lutado com o Jones. Seria injusto o Sonnen estrear furando a fila? Muito! Se eu fosse um top contender eu me sentiria mal com isso, mas é compreensível. O Jones primeiro aceitou e depois o Greg mandou ele voltar a trás, e como um bom menino ele voltou.

    • Oi, Bruno,

      Obrigado pelos elogios!

      Muita coisa deve ter acontecido aqui e ali que a gente não sabe e, se bobear, nunca vai saber.

      O grande problema de tudo isso é a quantidade de grana envolvida. Quanto menor a coisa, mais fácil de manejar aqui e ali. Quando vira algo enorme, fica mais difícil, mas, em contrapartida, é necessário pensar em planos B, C, D e por aí vai.

      Acho que faltou mesmo organização na coisa toda, e não tiro a “culpa” do Jones, mas, no caso, quem manda é quem tinha que ter se preparado melhor para algo que, todos nós sabemos – a lesão de um atleta -, é possível de acontecer.

      Abração e obrigado pela leitura!

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