Flamengo e Riquelme, do pecado à inteligência

Riquelme diz "não" ao Flamengo - Foto: Editoria de Arte/Jornal Extra

Riquelme diz “não” ao Flamengo – Foto: Editoria de Arte/Jornal Extra

Sou de uma época em que receber uma proposta do Flamengo era algo quase extra-terrestre. Caraca, era o FLAMENGO, com letras garrafais. Dizer “não” era digno de heresia, excomunhão. Hoje, as coisas mudaram. E muito.

O Flamengo foi atrás de Riquelme e usou o jogo contra o Corinthians para convercer o argentino a desembarcar na Gávea. Tudo errado. Primeiro, ir atrás de Riquelme. Segundo, usar o jogo contra o Corinthians.

Sou fã de Riquelme. Acho que foi um dos grandes meias do futebol mundial, um cara realmente acima da média. Foi, não é mais. E não foi a derrota para o Corinthians que mudou minha opinião. Sua carreira está em decadência, assim como a sua vontade de jogar, ou vice-versa.

Em um time que está mal, contratar um cara que é muito bom, mas está em baixa, me parece um erro daqueles. O torcedor quer ver nêgo comendo grama em campo – eu, pelo menos, quero. Riquelme, com essa boa vontade que tem mostrado nos últimos tempos, seria mais um a ser xingado e vaiado, e custando uma grana absurda.

Para convencer Riquelme, nada melhor do que mostrar o superclássico com o Corinthians. Pra quê? O Flamengo, assim como o Boca Juniors, levou um baile. Os jogadores, vaiados e xingados. Joel Santana, execrado.

Aí, veio o dia seguinte:

“O Riquelme disse que o problema não foi financeiro, mas sim futebolístico. Ele até elogiou nossa proposta, agradeceu, mas disse que ficou assustado com ontem [jogo contra o Corinthians]. Não gostou da atuação do time, da reação da torcida, da pressão daqui. Ficou complicado, infelizmente. Uma pena, pois fizemos todos os esforços para contratá-lo”

Zinho, diretor de futebol

Se o Flamengo usou o jogo com o Corinthians como termômetro, era de se esperar que, em caso de tropeço, o cara disse “não”. Simples, afinal, abriram essa brecha para Riquelme.

E veio o dia seguinte do dia seguinte:

“Ele não deve ter falado que o time é ruim, até porque, com todo o respeito ao jogador, ele não pode fazer um comentário deste sem ter passado por aqui. É o Flamengo. Quantos torcedores tem o Boca? Dez ou 15 milhões? Aqui são 40 milhões de rubro-negros.”

Joel Santana

Joel, Joel… O técnico mais demitido do Brasil – foram umas 15 demissões só neste ano. Trocentos anos de futebol e ainda esse papinho? Pergunte para qualquer rubro-negro, o mais fanático deles, e conte nos dedos quantas vezes você vai ouvir que “o time é bom”.

E torcida, fanatismo, gosto pelo futebol não se mede por “população”, Joel. Aliás, isso, o fanatismo, o gosto pelo futebol, é algo que não se mede. Um torcedor de um time de Santo André pode ser mais fanático que mil rubro-negros. Tem um régua pra isso? Claro que não. Logo você, Joel, caindo num papinho desses?

O fato é que Riquelme disse “não” ao Flamengo. Não foi o único, não será o último. Não queria entrar nesse barco e, venhamos e convenhamos, a nau à deriva não é culpa dele. O nome e a torcida rubro-negra são imensos, mas o time, hoje, amedronta, e não em um bom sentido. Dizer “não” ao Fla já foi pecado. Hoje é covardia? Que nada, é inteligência.

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