Um instante, gols e palavrões nas capas de jornais: essa é a Libertadores

Capas dos jornais "Lance!" e "Olé" - Fotos: Reprodução

Capas dos jornais “Lance!” e “Olé” – Fotos: Reprodução

O futebol é uma coisa de outro mundo. Por mais que seja um ambiente fétido, quando a bola rola, é difícil não se comover. Assim como na vida, um instante, um segundo, um piscar de olhos (use a metáfora que quiser)… pode alterar o rumo de tudo. A noite de quarta-feira da Libertadores foi um exemplo disso.

Aquele ar pesado, aquele clima tenso. Mesmo sem torcer para nenhum dos envolvidos, caramba, não tinha como não se envolver em nenhuma das duas partidas. A dedicação dos caras em campo foi algo exemplar. Cada tufo de grama era disputado como se fosse o último. Fazia tempo que eu não acompanhava 180 minutos de raça, garra, de um futebol como deve ser.

Carleto fez um daqueles gols de Libertadores. Bateu em todo mundo, pegou a curva mais absurda do planeta, entrou no cantinho. Gol chorado, chorado, daqueles de levar às lágrimas e pensar: “É assim que se ganha um jogo de Libertadores”. Mas, sabe como é…

Do outro lado estava o Boca. Escolha a divindade que quiser, mas nem ela sabe explicar a aura que ronda esse time. Caramba, se bobear, não é a melhor equipe nem de Buenos Aires. Mas tem camisa, tem tradição e coloca isso em campo de uma maneira tão grandiosa que é necessário muito mais do que um gol de Libertadores para mandar o Boca para casa.

Aí o jogo está acabando, a bola bate em todo mundo, acerta a trave, o goleiro se estica, tira em cima da linha – e se o Cavalieri não toca? – e aparece Santiago Silva, aquele El Tanque que virou motivo de chacota quando jogou no Corinthians e enterra o Flu. Gol chorado, chorado, daqueles de levar às lágrimas e pensar: “É assim que se ganha um jogo de Libertadores”. Com o Boca, é assim…

Deu tempo, basicamente, de respirar fundo e começar tudo de novo com Corinthians e Vasco. O ar no Pacaembu devia estar pesando toneladas. Jogo brigado, carrinho daqui, esforço até a última gota de suor dali. Foi um primor tecnicamente? Claro que não, mas foi um baita jogo, baita jogo mesmo.

Sabe aquele instante? Aquele segundo? O piscar de olhos? Antes dele, Diego Souza estava com a faca, o queijo e a vaga na semifinal nas mãos. Gol feito, diria um. É só marcar, diria outro. Mas é Libertadores, o ar estava pesado, pesado. Um instante depois, um segundo depois, um piscar de olhos e o que era gol se tornou uma das maiores defesas de um goleiro corintiano, sei lá, no século.

Do tapinha de Cássio à cabeçada de Paulinho foi uma eternidade, mas passou no instante, segundo, piscar de olhos. Foi mais ou menos essa medida de tempo que o Vasco vacilou. Bastou isso, esse fio de cabelo, para que o Pacaembu viesse à baixo, para que Diego Souza virasse vilão e Paulinho, herói.

“Boca, Carajo!”, disse a capa do diário “Olé”. “PQPaulinho”, a do diário “Lance!”. Entendo as críticas, mas acho que tudo que é torcedor de Boca e de Corinthians soltou exatamente esses palavrões no momento do gol, do apito final, da batalha vencida. Não acho exageradas, acho, sim, que refletem o grito da galera, aquele grito entalado na garganta. Que noite, hein? Parafraseando os jornais… Carajo! PQP, que noite!

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