Brasil x Bósnia no Bruno José Daniel da Suíça: por que não aqui?

Bruno José Daniel, em Santo André - Foto: Divulgação

Bruno José Daniel, em Santo André - Foto: Divulgação


Não nasci há tanto tempo assim, mas sou da época que o Brasil jogava em estádios sensacionais. Também jogava, pasmem, em solo nacional. Hoje, parece que os locais escolhidos para receber a seleção são proporcionais ao futebol apresentado. Ou seja, o time de Mano Menezes só joga em estádio pequeno, o que contradiz com a (suposta?) grandeza do futebol tupiniquim.

Vejamos o palco do sensacional Brasil x Bósnia-Herzegóvina: a AFG Arena, um estádio multi-uso com capacidade para estratosféricos 19.694 torcedores. Essa verdadeira meca da bola fica na enorme cidade de St. Gallen, na Suíça, casa de quase 73 mil pessoas. Basicamente, um quarto da população cabe no estádio.

Fico imaginando a seleção brasileira adentrando o surrado gramado do estádio Bruno José Daniel, o Brunão, casa do time da minha cidade, o Santo André. O site do clube diz que a “arena” andreense, que não é multi-uso, mas já recebeu shows de Menudos e Xuxa, tem capacidade para 15.157 pessoas. O recorde é de 21 mil. Vai dizer que, com a bolinha que o time de Mano Menezes vem jogando, não dava para calçar a chuteira no coração do ABC?

De acordo com estimativa do IBGE, com dados de 2011, Santo André tem 678.485 habitantes e é a 25ª cidade mais populosa do país. Você conhece Bayeux, na Paraíba? Eu nem sabia que existia, mas, pelo nome, poderia ser vizinha de St. Gallen. Pois bem, lá, em Bayeux, vivem 100.136 pessoas, e o município é o último colocado entre todos do Brasil com mais de 100 mil habitantes. À sua frente, existem 284 cidades. Mas, mesmo assim, a cidade paraibana, sede do estádio Lourival Caetano, para 2 mil torcedores, tem 27 mil habitantes a mais que a aprazível St. Gallen.

É a arborizada AFG Arena? Não, é o Lourival Caetano, em Bayeux; no Google Earth, todo estádio pode receber o Brasil e, hoje, pode mesmo, não? - Foto: Google Earth

É a arborizada AFG Arena? Não, é o Lourival Caetano, em Bayeux; no Google Earth, todo estádio pode receber o Brasil e, hoje, pode mesmo, não? - Foto: Google Earth

A diferença de Santo André e Bayeux para a cidade suíça é que ambas não pagariam a grana que alguém está bancando para levar a seleção para lá. St. Gallen deve ser linda: pelas fotos que vi, parece ser um destino sensacional para uma lua de mel ou um ótimo lugar para encher a cara de vinho e comer queijo até cansar. Mas, vai dizer que serve para receber a seleção? Não, né?

Diante disso, fico pensando no quanto o Brasil se apequenou nos últimos anos, principalmente graças ao dinheiro. É basicamente assim: pagou, levou. Penso também no quanto a seleção se distanciou da sua torcida, de como se tornou um time internacional e não nacional. Acho que é mais fácil você achar alguém identificado com Barcelona ou Real Madrid do que com o Brasil.

É triste tudo isso. O Brasil passará por St. Gallen e, amanhã, a cidadezinha suíça nem vai lembrar do que aconteceu. Se mandasse o jogo aqui dentro, em Santo André, ou Bayeux, ou Vespasiano, ou Simões Filho, ou Camaragibe, enfim, em qualquer cidade do nosso país, com certeza, aproximaria esse time da sua torcida. Mas, sabe como é, quem pode mais, chora menos. E lá vamos nós ver o Brasil jogar no Bruno José Daniel da Suíça, mas sem o mesmo charme do mítico estádio andreense…

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