Brasil e o fim do país do futebol

Obra Bola Murcha, de Vik Muniz, 1989 - Foto: Divulgação

Obra Bola Murcha, de Vik Muniz, 1989 - Foto: Divulgação

O Brasil é o país do futebol e tem o melhor futebol do mundo. Isso serve para vender pacote turístico, para enganar gringo vendendo aquela camisa “piratex” de qualquer time daqui ou, ainda, para falar Pelé e Ronaldo e se livrar de enrascadas nos mais distintos lugares do planeta. Na bola, não.

A magia do futebol brasileiro foi para o limbo faz um tempo. Claro que existe a falta de qualidade técnica e tática, mas o que mais me chama a atenção é a soberba. Para muita gente ruim e média, ligada diretamente com a bola, “o Brasil é o país do futebol e tem o melhor futebol do mundo”. E aí dança e fica choramingando para entender o que aconteceu.

A história se repete todos os anos. É bater o olho na tabela dos grupos da Libertadores que o torcedor diz “é uma baba”. O torcedor pode pensar assim e é até bacana que pense assim, mas a coisa piora quando jogador, técnico e cartola acham que o grupo “só tem barangas”, expressão que só ouvi da boca de Gérson, o eterno canhotinha de ouro. Aí, meu caro, é eliminação atrás de eliminação, cada uma com uma desculpa mais esfarrapada que a outra, quando todo mundo sabe o que aconteceu: soberba.

Essa superioridade invisível brasileira não é algo que a gente vê logo no primeiro jogo, mas vai sendo diluída no decorrer da competição. Quando um time cai na real, já levou nabo de um Juan Aurich da vida e, aí, a vaca foi para o brejo.

É óbvio que a Libertadores sempre foi complicadíssima, desde a época que o “Brasil era o país do futebol”. É o tipo de torneio que tem uma aura de guerra. Nada de tapetes vermelhos e hinos, como a Liga dos Campeões. Mas guerra à moda antiga, sabe? Aquela de campo de batalha, trincheiras, de futebol de várzea. Ganhou quem teve a humildade de mandar a bola por cima da arquibancada, quem deu carrinho na lama, quem fez gol de bico e quem teve a capacidade de, no momento decisivo, dar aquele drible desconcertante, aquele chapéu destruidor, aquele passe monumental. Ganhou o melhor futebol do mundo? Não, ganhou o time mais humilde. A lógica é a mesma quando o assunto é seleção brasileira.

Se você, torcedor, bater o olho nos rivais dos brasileiros da Libertadores neste ano, fatalmente achará que o jogo está ganho. Até eu, quando leio algo como “Juan Aurich”, acho até que tem que atropelar. A gente pode pensar isso, a gente não entra em campo. Mas, a realidade é outra. Ninguém ganha nada de véspera. Enquanto não tirar esse arzinho de superioridade da cara, não vai ganhar nada. Pior, vai acumular vexames históricos. Na América e no mundo.

2 Comentários

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2 Respostas para “Brasil e o fim do país do futebol

  1. Enio

    No meu ponto de vista, há vários aspectos que motivam o fim do Brasil como país do futebol. Um dos maiores incentivos seria a popularidade do esporte, praticado em ruas, varzeas, etc. Vejo hoje o futebol sendo muito praticado, mas em muitas cidades, o aumento das áreas urbanas vem dificultanto a prática do esporte de forma popular, além disso, boa parte da população, hoje, tem acesso a internet, fazendo uso de jogos virtuais, mas ainda acho que isso seja apenas o início do fim, por que a finalização pesada está por parte dos cartolas e sistemas de manipulação de jogadores, times e negociatas envolvendo cada vez mais a credibilidade do nosso futebol. Vejam, é notório uma relação escandalosa entre a CBF, o Corinthians e o futebol Russo, pois temos hoje jogando na Russia, Juscilei, que foi convocado por Mano Menezes de forma surpreendente, fez alguns jogos e hoje vem atuando na Russia, como o Roberto Carlos e, por que não lembrar da MSI, e do Magnata Russo Boris Berevzoski, e assim vai, o presidente do corinthians agora atua na CBF. Acredito que o envolvimento de dirigentes do corinthians na CBF desmotiva a população em acreditar em um sucesso da seleção. Refletimos também o uso da seleção brasileira como forma de promover jogadores e logo são negociados ou supervalorizados, criou-se um rodízio enorme de jogadores entrando e saindo da seleção e, desde a saída de Dunga, a Seleção não tem base, ninguém sabe que são os jogadores da seleção. Fala-se em Neimar, Ganso e cia, não esquece que um bloco no meio ou em um setor do campo não ganha jogo, nem faz de um ou dois jogadores o salvador da Pátria. Particularmente, acho que esse bloco formado por Paulo Henrique e Neymar não tem maturidade nem experiênica para liderar uma equipe para uma grande disputa. Vejo no Neymar uma grande fragilidade e vulnerabilidade no seu porte fisíco. O que ganha jogo é conjunto, entrosamento, objetivo.

  2. carlos

    Eu não achava o termo adequado para definir o futebol por aqui. “Soberba”, enfim diz tudo. Resultado do comunicação globalizada, assisto jogos de várias partes do mundo e, quanto mais amador, mais bonito de se ver.

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