UFC 140: estômago, ombro, cabeça, força e precisão

Minotouro comemora a vitória sobre Tito Ortiz - Foto: Nick Laham/Getty Images

Minotouro comemora a vitória sobre Tito Ortiz - Foto: Nick Laham/Getty Images

O UFC 140 teve 12 lutas, mas três delas, venhamos e convenhamos, valiam alguma coisa, aquelas que tinham brasileiros no octógono. Foram três verdadeiros jogos de xadrez, com uma vitória nacional e duas derrotas, daquelas dolorosas. Uma noite de estômago, ombro, cabeça, noite de força e precisão.

Minotouro, talvez, fosse o mais “underdog” de todos os brasileiros no Canadá: vinha de duas derrotas e, se perdesse a terceira seguida, corria até o risco de perder o contrato com o UFC. Pela frente, Tito Ortiz, um dos lutadores mais carismáticos da história. Mais carismático do que perigoso, mas, sabe como é, o veterano já foi campeão dos meio-pesados e sabe bater.

Na verdade, quem mostrou “punch” foi Minotouro. Mostrou pegada e inteligência. Uma joelhada no lado esquerdo do estômago, na região do baço, levou Ortiz para o chão. Qual é a lógica de todo lutador quando derruba o outro: buscar golpes na cabeça do rival para terminar o combate. Minotouro, não: inteligente, socou o baço de Ortiz cirurgicamente até o veterano não aguentar mais. Força e precisão cirúrgicas, estratégia perfeita. Uma daquelas lutas para ver e rever.

Mir encaixa chave para vencer Minotauro - Foto: Nick Laham/Getty Images

Mir encaixa chave para vencer Minotauro - Foto: Nick Laham/Getty Images

Foi a vez do irmão gêmeo de Minotouro entrar no octógono. Minotauro vinha de uma vitória absurda no UFC Rio, embalado, bem treinado, enfim, totalmente preparado para a revanche contra Frank Mir. O norte-americano já foi campeão interino dos pesados, justamente quando nocauteou Minotauro.

A revanche estava nas mãos do brasileiro. Ele encaixou uma série de golpes, e Mir, literalmente, ficou com o rosto colado no chão do octógono. Essa era a hora de fazer, sim, como todo lutador que derruba o outro: soltar o braço até que o juiz pare a luta. Minotauro, não. Quis tentar uma imobilização improvável e deu a chance para Mir faz o que sabe, que é vencer no chão. Deu xeque uma, duas, 10 vezes, mas pareceu o bandido em filme de herói: não acabou com a história. Mir aproveitou a brecha e deu o seu xeque-mate: uma chave de braço perfeita, deslocando o ombro de Minotauro.

O brasileiro, do alto de suas 42 lutas na carreira, não poderia, de maneira nenhuma, deixar escapar uma vitória como essa. A luta acabou sendo impressionante em vários aspectos: a maneira como Minotauro deixou Mir virar o jogo, a maneira como Mir virou o jogo e a maneira como o ombro saiu do lugar instantes antes de Minotauro dar os três tapinhas e decretar sua derrota. Força e precisão cirúrgicas de um lado, estratégia extremamente errada de outro. Uma daquelas lutas para ver, rever e tentar compreender como tudo aconteceu.

Lyoto é apagado por Jones; imagem é forte - Foto: Nick Laham/Getty Images

Lyoto é apagado por Jones; imagem é forte - Foto: Nick Laham/Getty Images

O fim da noite reservou o duelo entre o campeão Jon Jones e o ex-campeão Lyoto Machida. Jones foi aclamado, recentemente, como uma espécie de novo Anderson Silva. A ascenção fulminante parece ter mexido com a cabeça do moleque de 24 anos: está marrento que só ele. A impáfia se tornou antipatia, e ele chegou a ser vaiado tanto na pesagem quanto em sua entrada no octógono.

Briga rolando, e a estratégia de Lyoto foi perfeita. Jones não achou o brasileiro no primeiro round e foi achado em algumas oportunidades. Jones percebeu que nome não ganha jogo, deixou a marra de lado no segundo round e mostrou sua maior virtude: a criatividade nos golpes.

Primeiro, o campeão conseguiu derrubar o brasileiro e, em seguida, usar uma da suas armas prediletas: o cotovelo. O corte profundo na testa foi o primeiro sinal de que Jones tinha entrado na luta. Lyoto levantou e, mesmo sangrando muito, tentou a reação. Mas o contragolpe de Jones foi espantoso, reflexo de sua enorme habilidade em encontrar espaços e terminar lutas.

Lyoto atacou, mas recebeu um direto em troca. Caiu, levantou, ganhou uma joelhada. Tentou respirar, mas Jones, ao invés de ir para os golpes na cabeça do rival, como todo lutador faz, armou um estrangulamento improvável. Em pé, de frente para o oponente, ele simplesmente apagou o brasileiro. A torcida atrás viu que Lyoto havia perdido a luta bem antes do lendário juiz Big John McCarthy decretar o fim. A cena que se segue é forte: Jones solta o brasileiro, que desaba desacordado. Nada de grave, mas, visualmente, é algo chocante. Tão chocante quanto a maneira que o campeão conseguiu a vitória. Força e precisão.

No resumo da ópera, Minotouro usou a cabeça para achar, no estômago, uma vitória das mais bonitas de sua carreira. Minotauro, com a luta ganha, perdeu a cabeça e viu, no ombro delocado, uma derrota das mais tristes de sua carreira. Jó Jones usou a cabeça para achar a cabeça de Lyoto e manter o cinturão. O UFC brasileiro teve finais distintos, com estômago, ombro e cabeça, mas, curiosamente, com uma linha comum: a linha da força e da precisão separou vencedores de derrotados. Esperemos os próximos rounds!

Jones mantém o cinturão após derrotar Lyoto - Foto: Nick Laham/Getty Images

Jones mantém o cinturão após derrotar Lyoto - Foto: Nick Laham/Getty Images

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