Ricardo Teixeira, Andres Sanchez, Ronaldo, Luisa Marilac e questões de necessidade

Ricardo Teixeira, presidente da CBF - Foto: Divulgação

Ricardo Teixeira, presidente da CBF - Foto: Divulgação

“E teve boatos que eu ainda estava na pior. Se isso é tá na pior, pohan, quê que quer dizer tá bem, né?”, disse a filósofa Luisa Marilac. Quando se está ou se aparenta estar na pior, das duas, uma: ou você desmente com garbo e elegância, ou você se cerca de gente capaz disso e sai dos holofotes.

Quem diria que Ricardo Teixeira, até outro dia uma espécie de ser supremo do futebol, estaria em uma pior. Acuado cá e lá por uma avalanche de denúncias, ele até ameaçou desmentir com garbo e elegância, mas, sabe como é, optou por sair de fininho e colocar gente de sua confiança em posições estratégicas. Por posições estratégicas, leia-se: gente que vai dar a cara para bater.

Andres Sanchez foi o primeiro a aparecer. A relação com Teixeira foi se estreitando desde que ele assumiu a presidência do Corinthians. Não podemos esquecer que foi ele o chefe da delegação na Copa do Mundo de 2010. Agora, foi anunciado como diretor de seleções da CBF e, num futuro próximo, muito antes do que se imagina, será o novo presidente da entidade.

Em seguida, Ronaldo, que já foi Fenômeno nos gramados, entrou na barca. Ele deve confirmar em breve o que todo mundo já noticiou: foi convidado por Teixeira e aceitará ser o comandante do COL (Comitê Organizador Local) da Copa do Mundo de 2014.

Vamos lembrar, rapidamente e sem detalhes, apenas três fatos cruciais do drama de Teixeira. A Fifa, na voz do não menos ardiloso Jérôme Valcke, secretário geral, já havia pedido mudanças nos interlocutores da Copa e colocado Teixeira de escanteio. Orlando Silva Jr. caiu no Ministério do Esporte. E ainda levou pau de Romário publicamente e viu sua bancada da bola ficar caladinha. Os boatos de que estava numa pior, na verdade, eram a mais pura verdade.

Do drama, Teixeira passou à trama. Precisava agir. Precisava encontrar quem assumisse os cargos que exigem a cara para bater, o confronto com a imprensa, as assinaturas aqui e ali e as explicações sobre isso e aquilo. Sabe como é, Teixeira não tem mais idade nem mais saco para isso tudo. A família está garantida por gerações, não precisa mais disso, né?

A filósofa Luisa Marilac

A trama foi, então, bem costurada. Andres, aquele que falou a torto e a direito que nunca seria presidente da CBF, disse que “não poderia virar as costas para a nação” e aceitou o cargo de diretor. Cargo para inglês ver, certo? É óbvio que o cargo é apenas um aquecimento para assumir a cadeira felpuda de Teixeira.

O mesmo aconteceu com Ronaldo. Entre tapas e afagos, eles novamente estão abraçados. Teixeira conseguiu tirar Ronaldo da tranquila posição de empresário para colocá-lo simplesmente no olho do furacão. Sabe como é, o Fenômeno tem carisma, é boa praça, a galera vai pegar mais leve com ele e deixar passar, a olhos nus, muita coisa que deveria ser vista, combatida, enjaulada.

O fato é que Teixeira precisava de Andres agora, assim como Andres precisou de Teixeira para barrar o Morumbi e conseguir a construção do tão sonhado estádio corintiano. Uma troca de favores, na qual o meu maior medo é ver a megalomaníaca criatura se tornar ainda maior que o criador. Ronaldo? Bem, ele não precisava de Teixeira, mas Teixeira precisava dele. O dono do futebol brasileiro precisou de uma bela pasta, um belo vinho, um belo convite e um belo “sim” para sorrir no final.

Luisa Marilac postou um dos virais mais famosos do Youtube para mostrar, com garbo e elegância, que não estava numa pior. Ricardo Teixeira foi pelo outro lado, fechou acordos com amigos capazes de defendê-lo para começar a sair dos holofotes. Imagino, agora, o presidente da CBF em casa, numa piscina, cercado por um belo sol europeu, tomando uns “bons drink” e dando uma mergulhadinha. Ele sai da água e manda aquele já histórico “E teve boatos que eu ainda estava na pior. Se isso é tá na pior, pohan, quê que quer dizer tá bem, né?”. Tudo, no fim, não passa de uma questão de necessidade.

P.S.: Para se ter ideia do tamanho do buraco, aconselho uma espiada no post no Blog do Juca Kfouri, “A última jogada de Ricardo Teixeira”. A foto diz mais que zilhões de palavras.

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