Ouro para Fabiana Beltrame em um esporte “ciclo olímpico”

Fabiana Beltrame comemora o ouro com a filha Alice - Foto: Reuters

Fabiana Beltrame comemora o ouro com a filha Alice - Foto: Reuters

Vai dizer que você conhecia ou era fã de Fabiana Beltrame? Ah, não sabe nem quem é, né? A xará de Murer conquistou nesta sexta-feira o ouro no Mundial de remo, em Bled, na Eslovênia. Um feito inédito, histórico, que merece ser comemorado (e muito), ainda mais por se tratar de um esporte pouco difundido.

O remo é aquele tipo de esporte que você ouve falar a cada “ciclo olímpico”, ou seja, a cada quatro anos. Geralmente, as provas acontecem bem cedo, ou seja, abrem os dias de transmissão das Olimpíadas. Pouca gente acorda cedo para ver o remo nesses eventos. E o esporte sobrevive, no Brasil, sabe Deus como…

A conquista de Fabiana é mais um exemplo de uma vitória extremamente pessoal, que não tem nada a ver com o país em que ela vive (já falei sobre isso na conquista de Fabiana Murer). Imagino o perrengue que deve ser para um atleta de um esporte desconhecido ter um mínino para realizar um treino decente. E mais: ser um atleta de elite nesse esporte desconhecido.

Por treino decente, leia-se: ter um equipamento de ponta para praticar, acompanhamento médico, de preparação física, fisiologistas, nutricionistas. Enfim, não é barato ser um atleta de elite. Em um esporte que está na mídia a todo o momento, com exposição em TV, é bem mais simples arrumar um patrocínio para financiar tudo isso. Mas, e no remo? Fabiana, que hoje é atleta do Flamengo, deve ter passado por poucas e boas para conseguir ter o mínimo de condições para ser uma atleta de ponta em um país que não dá a mínima nem o mínino para isso.

Ou melhor: no Brasil, você precisa ganhar algo para depois ser reconhecido. Não há interesse em formar uma legião de atletas. O que acontece é que às vezes surge um abnegado que ganha alguma coisa, como Fabiana, e aí o esporte que ela pratica passa a ter um apoio maior. Mas isso vai até a primeira derrota…

Fabiana já havia sido campeã da Copa do Mundo, em junho deste ano, na cidade de Hamburgo, na Alemanha. Foi a primeira brasileira a disputar os Jogos Olímpicos, em Atenas-2004 e Pequim-2008. Só o fato de participar nas Olimpíadas já seria mais do que louvável. Mas ninguém saberia de nada disso se ela não conquistasse o Mundial nesta sexta.

“A Fabiana Beltrame virou a página do remo brasileiro. O remo brasileiro vai ser conhecido a partir de agora como antes e depois de Fabiana Beltrame.”

O autor da frase acima é Gibran Cunha, ao SporTV. Além de remador, é técnico e marido de Fabiana. Espero, de coração, que ele tenha razão, e que um esporte não precise de um título conquistado por um abnegado para que seja reconhecido, nem que passe na TV a cada quatro anos. Dia dourado para o esporte brasileiro? Não, dia dourado para Fabiana Beltrame.

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