Abidal, a cicatriz e a foto que diz mais que mil palavras

Eric Abidal na capa da versão italiana da revista GQ - Foto: Reprodução

Eric Abidal na capa da versão italiana da revista GQ - Foto: Reprodução

Foi em março, em um exame de rotina no Barcelona, que Eric Abidal descobriu que tinha um tumor no fígado. A notícia caiu como uma bomba. Afinal, o cara é jogador de futebol, tem uma vida regrada, se cuida. É o tipo de coisa que você não entende.

O lateral foi operado um dia antes do previsto, ainda em março. Um dia a menos pode ser algo que muda a vida de alguém, assim como um dia a mais. No caso, uma antecipação poderia ser um sinal de que algo grave estava ali.

O tumor no fígado foi retirado com sucesso. O prazo de recuperação era de cinco meses. Recuperação, nesse caso, significa retornar aos gramados.

Abidal voltou antes do previsto. Muito antes. Em maio, participou dos minutos finais  do clássico com o Real Madrid, 1 a 1, pela semifinal da Liga dos Campeões.

No final de maio, dia 28, veio a redenção. Estádio de Wembley, final da Liga contra o Manchester . Lá estava Abidal como titular do Barcelona, correndo como um moleque. Vitória por 3 a 1, e a Europa era espanhola, catalã. A Europa era de Abidal.

O capitão é quem levanta a taça. O capitão do Barça é Puyol. Mas, naquele dia, naquele momento, ele abdicou da honraria e passou a tarja para Abidal. Coube ao francês, recuperado 100%, levantar a taça da Liga. Ali, o mundo era de Abidal.

Pode parecer bobagem, mas o capitão de um time na Europa tem uma relevância muito maior do que no Brasil, por exemplo. O capitão é um cara com história no clube, alguém que comeu muita areia, roeu muito osso para chegar a esse posto. É a voz do técnico e da torcida dentro de campo. No Barcelona, a tarja ainda leva as cores da Catalunha, o que leva o capitão a ser um ídolo eterno.

Assim, o gesto de Puyol ganha uma importância ainda maior. Começar nas categorias de base, passar por todos os estágios e chegar ao profissional como um ídolo é algo sensacional na carreira de Puyol. Mas ele entendeu, naquele momento, que a história de vida de Abidal era algo que merecia ser reverenciado. E assim o foi.

Agora, em agosto, Abidal estampa a capa da versão italiana da revista GQ. A foto é marcante: a cicatriz da cirurgia que salvou a vida do jogador. “A ferida do campeão”, diz a revista. “Com essa cicatriz, eu joguei o jogo da vida vencendo a minha doença.”

Simples, mas de uma beleza ímpar. A história de Abidal pode ser contada por livros e livros, mas aquela cicatriz resume o que é esse jogador. Um risco na pele traz toda a sua biografia, suas dores, suas derrotas e sua maior vitória. A imagem que diz mais que mil palavras.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Futebol

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s