Michael Oliveira, show e promessa

Adoro boxe. Desde moleque, assistia às lutas de Maguila no Show do Esporte, da TV Bandeirantes. Bons tempos! Meu saudoso tio Nico ligava em casa e avisava que o combate ia começar!. Mas, cara a cara, eu nunca tinha visto um combate. A primeira fez foi sábado, 16 de julho, no Desafio Internacional de Boxe/São Paulo Fight Night, tendo a promessa brasileira Michael Oliveira como estrela da noite.

Confesso que fiquei com dois sentimentos. Um, o esportivo e legal, de ver de perto a nobre arte. Não vou discutir com quem não gosta, mas, pra quem gosta, é bem bacana. Outro, o pasteurizado e chato, foi de achar tudo show de mais, feito mais para um público de VIPs do que pra galera.

Sim, eu sei que toda luta de boxe tem lá os seus VIPs. É bater o olho na primeira fila que estão lá aqueles que foram pra ser vistos. Mas, geralmente, há mais espaço físico pra galera, que não paga barato mas vai pra fazer a festa, do que para os engravatados.

O ingresso era gratuito. A movimentação, pelo que vi na quase 1h que fiquei na entrada, era maior para se descobrir o nome na lista do que nas bilheterias.

Talvez, fisicamente, houvesse mais gente na “arquibancada” (não era, bem, uma arquibancada). A galera chegou em vários ônibus (confesso que não prestei muita atenção, mas uma comunidade de Heliópolis estava presente). Os VIPs, bem…

(Abrindo um parênteses. Tive a oportunidade de cobrir a edição 100 do UFC, em julho de 2009, em Las Vegas. Ingressos mais caros passavam de US$ 1.000, mas tinha lá os ingressos a US$ 50. Ou seja, bem ou mal, foi um evento democrático. Metade da área VIP, ao lado do octógono, era, na verdade, para a impresa. A outra metade, para os VIPs. Resultado de tudo: 6 mil pessoas acompanharam a pesagem, gratuita, um dia antes, e 12 mil presenciaram o evento no dia seguinte. Não é boxe, é MMA, mas, talvez, seja um exemplo a ser seguido. Afinal, o UFC vem de anos de sucesso não por acaso.

Mas acho que não sou a pessoa que vai ter ideias geniais e recolocar o boxe nos holofotes. Não sou publicitário, não trabalho com marketing esportivo, nem tenho conhecimento sobre isso. Também não defendo ingessos a R$ 100. Só acho que, ao invés de ingressos gratuitos, outras fórmulas poderiam ser fomentadas: arrecadação de alimentos ou ingressos a R$1 com bilheteria revertida para instituições de caridade/escolas de boxe ou excursões de escolas de boxe para os eventos. Todas as modalidades reclamam da falta de recurso. Tá aí uma oportunidade de arrecadar algo. Pode ser pouco, mas acho que ajudaria. Enfim, é só uma ideia.)

Achei que houve também um exagero no aspecto show. Michael Oliveira chegou em uma limusine branca. Antes de sua entrada, chuva de papel picado. A luta, em si, foi até legal: equilíbrio nos dois primeiros rounds, cansaço do dominicado José “Minguito” Soto a partir do terceiro, nocaute brasileiro no sexto. Música tema de “Rocky” para comemorar a vitória do “Brazilian Rocky”. Shows de autógrafos e fotos para finalizar a noite.

Não sei se Michael Oliveira será um supercampeão. Sei que é uma promessa. Só acho que, para ser um ídolo, é preciso chegar, primeiro, na visão das massas. Depois, conquistar o coração do povo. Com luta em canal fechado e festa para poucos, o “Rocky brasileiro” corre o risco de ser uma celebridade para poucos.

##### Abaixo, algumas fotos tiradas por mim. A handycam da Sony DCR-SX44 é muito boa e funcional para vídeos, mas, para fotos, fica a desejar. Mas dá pra ter uma ideia de como foi o evento. #####

O ringue antes de Michael Oliveira x “Manguito”

Michael Oliveira x José "Minguito" Soto - Ricardo Zanei

Chuva de papel picado para a entrada de Michael Oliveira

Michael Oliveira x José "Minguito" Soto - Ricardo Zanei

Chuva de papel picado = papel picado no ringue

Michael Oliveira x José "Minguito" Soto - Ricardo Zanei

Michael Oliveira x “Manguito”

Michael Oliveira x José "Minguito" Soto - Ricardo Zanei

Manguito no chão após sofrer o nocaute

Michael Oliveira x José "Minguito" Soto - Ricardo Zanei

Michael Oliveira após a luta

Pessoalmente, encontrar e dar uma de tiete com Miguel de Oliveira foi o momento alto da noite. Miguel é outro gênio do esporte nacional e merece um post à parte.

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2 Comentários

Arquivado em Boxe, Lutas

2 Respostas para “Michael Oliveira, show e promessa

  1. Hugo

    Olá Zanei,

    Parabéns pelo blog! Sou apaixonado pela nobre arte e praticante. Tieto muito o Miguel de Oliveira e tenho a sorte de conhece-lo. O cara é uma lenda!

    Contudo acho que o Michael de Oliveira não irá muito longe. Muito estardalhaço e marketing num garoto que ainda precisa amadurecer irão prejudica-lo… Tomara que eu esteja equivocado.

    Abs,

    Hugo

    • Olá, Hugo! Obrigado pelo clique, volte mais vezes!

      Com certeza, o Miguel é um cara especial, uma dessas joias do nosso esporte!

      Então, eu não sou especialista em boxe. Gosto muito e sou mais pitaqueiro do que qualquer coisa. Não sei qual será o futuro do Michael, espero que seja brilhante (pode, quem sabe, rolar uma luta com Popó, aí seria bacana), mas também tenho minhas dúvidas.

      Fato é que, ao ver a luta dele, fiquei com vontade de assistir à “Forja de Campeões”. Sei lá, deve ser mais verdadeiro do que o show que foi a luta.

      Abração!

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