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Além da imaginação: o último voo de Falcao?

Imagine que a seleção de seu país tem uma geração promissora, um time entrosado, que fez uma bela eliminatória. Imagine que essa equipe tem um jogador acima da média, um atacante veloz, feroz na arte de fazer gols. Imagine que essa seleção é a Colômbia. Imagine que esse cara, Falcao García, pode ser?, é a grande esperança de liderar essa molecada a uma sonhada participação histórica na Copa do Mundo.

Imagine, agora, que esse ídolo arranque para o gol em um jogo de sua equipe, imagine o nome dela, algo como Monaco. Imagine que o rival é fraco, que tal um tal de Monts D’Or Azergues, que imagine, jogue na quarta divisão. Imagine que o lance é dentro da área. Imagine que o zagueiro dê um carrinho infantil. Imagine que o joelho da sua estrela dobre para o lado errado. Imagine a queda. Imagine a mão no joelho. O grito de dor. A apreensão.

Imagine que, depois de passar por exames, venha um diagnóstico dos piores. Sei lá, imagine algo grave, como uma ruptura dos ligamentos. Imagine que o tempo de recuperação seja de seis meses. Imagine que o sonho de tudo isso, da Copa, da geração, dos gols, enfim, imagine que o sonho de toda uma nação caia por terra. Imagine a tristeza. É de ficar com o coração destroçado, não? Imagine só!

Claro, há de se imaginar o outro lado. Imagine que há esperança, mesmo que ela seja do tamanho de um grão de mostarda. Imagine que você tenha apenas e tão somente isso a se apegar. Imagine que isso seja suficiente, muito mais do que suficiente, para acreditar que o sonho daquele Mundial, o sonho de toda uma vida, de um país, ainda está vivo.

Agora, apague a nuvem da imaginação. A realidade dói, destroça mesmo o coração. Resta, realmente, um grão de esperança. É nele que Falcao García se agarra, com unhas e dentes, na expectativa de um próximo voo. Um voo rasante, fulminante, dilacerante rumo à Copa. Um único e último voo. Imagine só como seria legal. Eu imagino.

P.S.: Veja aqui o vídeo da lesão do colombiano. E como fica a Colômbia para a Copa sem sua principal estrela? Leonardo Bertozzi mata o assunto em seu blog, “Sem Falcao, veja 10 atacantes que a Colômbia pode usar na Copa”.

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Kaká sonha com a Copa; Felipão, não

Kaká contra a Croácia, em 2006; esperança de jogar em 2014 - Foto: Reuters

Kaká, Croácia, golaço em 2006; esperança de jogar em 2014 – Foto: Reuters

Babando, com sorriso no rosto e olhos marejados cheios de esperança, Kaká falou que sonha em ser convocado para a Copa do Mundo de 2014. Chegou a ser emocionante ver a vontade que ele mostrou em disputar mais um Mundial, vontade ampliada após Felipão “deixar as portas abertas” para seu retorno à seleção. A vontade é tamanha que ele toparia jogar “meia hora”, como fez em 2002. Mas, sejamos sinceros, não vai rolar.

Galvão Bueno conduziu muito bem a entrevista com o meia, veiculada no “Esporte Espetacular”. A proximidade do narrador com o jogador fez com que ele se soltasse e falasse sobre tudo: lesão, recuperação, Real Madrid e, por fim, seleção e Copa.

Claro que tem o lado ufanista da coisa, e isso ajudou no clima emotivo. Galvão disse torcer (um torcer com cara de “tenho certeza”) para ver o craque em campo ou no banco no Brasil x Croácia, dia 12 de junho, abertura da Copa. Kaká ficou besta com isso. Eu também ficaria, visualizaria, até.

O sonho é lindo, e tem que sonhar mesmo, mas é certeza que não vai rolar. Quem conhece a história de Felipão sabe que o técnico fecha a sua “Família Scolari” bem antes de um Mundial. O grupo está definido desde a Copa das Confederações, com uma ou outra dúvida, e Kaká, nem de longe, faz “cósquinha” nas dores de cabeça do treinador. “Portas abertas” é uma maneira educada e inteligente para não queimar um jogador do quilate de Kaká, mesmo que a história recente – ou nem tão recente assim – mostre que sua cotação está bem abaixo do que já foi.

Se ele estivesse quebrando tudo, rasgando a bola, arrancando como nunca, fazendo gols, sendo rei das assistências, rolaria ainda um clamor popular por sua convocação. Mas o meia ainda oscila demais, é pouco ou nada comentado no Brasil. Ou seja, segunda-feira chega e quase ninguém sabe se ele jogou ou não no fim de semana.

A chegada de Seedorf pode ser um novo alento para Kaká, mais um combustível em seu sonho de jogar a Copa. Acho, inclusive, que vai ajudá-lo a recuperar o bom futebol. Mas nem uma explosão vai fazer Felipão mudar de ideia.

Brasil x Croácia, primeiro jogo da seleção na Copa-2006. Um chute de canhota, de fora da área, 1 a 0, vitória do “quarteto fantástico”. Aquele, sim, foi o último grande lampejo de um Kaká já debilitado. Brasil x Croácia, abertura da Copa-2014. Kaká, jogue o que jogar até lá, verá pela TV.

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E se Neymar…

A lesão de Neymar - Foto: Reprodução

A lesão de Neymar – Foto: Reprodução

… tiver uma lesão mais complicada?

E se essa lesão o tirar da Copa do Mundo?

Ah, o “se” não existe. Concordo, e tudo aqui é um exercício de futurologia, é pensar na pior situação possível. Há uma possibilidade? Sim, e vamos trabalhar com ela.

A respostas para a questão acima é simples: sem Neymar, o Brasil perde a Copa. Se, com ele, já acho que será um feito e tanto, sem ele, já era.

A comparação é simples. Se acontece o mesmo com Messi, a resposta seria a mesma. Cristiano Ronaldo? Ribéry? Idem e idem. Eles são os melhores do mundo. Com eles, há chances, umas melhores, outras nem tanto. Perdendo qualquer um deles, esquece.

O desfalque de um cara como Neymar faria com que Felipão tivesse que quebrar a cabeça e mudar tudo em uma seleção armada, em um grupo fechado. Lembrando que o Brasil tem apenas um amistoso antes da Copa, contra a África do Sul, dia 5 de março, a situação seria calamitosa, catastrófica.

Obviamente, os deuses do futebol aprontam aqui e ali, e seria politicamente correto dizer que “tudo pode acontecer”. Neymar pode sofrer a lesão, Felipão convocar Lucas, Lucas destruir e ser “o cara” do hexa. Mas sem ficar em cima do muro, um desfalque do quilate do craque do Barcelona seria devastador. Ousaria até dizer que as chances de avançar em um mata-mata seriam ridiculamente pequenas.

Para muitos, a Copa começa dia 12 de junho, com Brasil x Croácia. Para mim, ela pode acabar em um 17 de janeiro.

P.S.: Escrevo esse texto na noite desta quinta, então, ele tem prazo de validade. Se, olha o “se” de novo aí, tudo der certo, eu mudo. Se não, fica por isso mesmo.

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O melhor ataque do mundo?

Minicraques de Cristiano Ronaldo, Messi e Neymar: algum deles será mega na Copa - Foto: Kodoto.com

Ronaldo, Messi e Neymar minis: quem será mega na Copa? – Foto: Kodoto.com

Higuaín, Lavezzi, Messi?

Postiga, Nani, Cristiano Ronaldo?

Suárez, Cavani, Forlán?

Insigne, Osvaldo, Balotelli?

Hulk, Fred, Neymar?

Negredo, Pedro, David Silva?

Giroud, Ribéry, Benzema?

Schuerrle, Muller, Ozil?

Rooney, Sturridge, Wellbeck?

Van Persie, Sneijder, Robben?

Hazard, Fellaini, Lukaku?

Falcao García, James Rodríguez, Jackson Martínez?

É ano de Copa do Mundo, amigo. Alguma dúvida que o campeão sairá de um dos 12 trios acima? Mas, e aí, quem tem o melhor ataque do planeta? Nomes ajudam, mas não respondem a pergunta.

Foi-se o tempo que um time tinha um ataque matador, suficiente para resolver os jogos sem se preocupar com uma defesa compacta. Foi-se a época em fazer sete e tomar cinco. Foi-se.

Caras como esses podem definir jogadas e jogos, mas, para ganhar campeonatos, ainda mais uma Copa, é preciso de mais. Se o Mundial é um tiro curto, pá-pum, não tem fase esplendorosa que vai salvar qualquer seleção.

Falar apenas do ataque de uma seleção/time é uma armadilha danada. É claro que qualquer equipe com Messi ou Cristiano Ronaldo ou Neymar ou tantos outros mete medo. Pavor, até. Mas, andorinhas não farão verão, muito menos no nosso rigoroso inverno aqui.

Está óbvio que não se ataca só com atacante, nem se defende só com zagueiro, e por aí vai. É legal no videogame, mas no mundinho real, esquece. Infelizmente – ou felizmente -, não vai rolar.

A resposta para a pergunta no título desse post vai além de quem define as jogadas. O contexto é bem maior, extramente repleto de variáveis. É o tal do futebol-total, que pode ser ou não bonito, mas é de uma eficiência absurda. E é isso que temos pra hoje.

Texto escrito, fica a questão: qual é ou quem tem o melhor ataque do mundo? Não sei a resposta, mas deixo outra pergunta no ar: isso basta?

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Brazuca, com “z”, um tatu-bola e histórias para um herdeiro imaginário

Tatu-bola sem nome e carisma segurando "Brazuca" - Foto: Reprodução/Veja

Tatu-bola sem nome segurando a carismática “Brazuca” – Foto: Reprodução/Veja

É brazuca, com “z”, o nome da bola da Copa do Mundo de 2014. Nem quando a gente tem chance de acertar, acerta. Brazuca é legal? Não, não mesmo. É um nominho insosso, sem sal, sem açúcar, que não representa absolutamente nada.

Pior é que os dois outros nomes que foram para a “final” na escolha popular não eram lá sensacionais. De qualquer forma, “Bossa Nova” e “Carnavalesca” são alcunhas com muito mais representatividade do que “Brazuca”.

Quando leio “Brazuca”, sempre fico com a sensação que é um apelidinho mequetrefe. A preguiça de falar “brasileiro” criou “brazuca”, assim como a preguiça de falar “carioca” criou “carica”. Ou seja, não significa muita coisa, né?

“Bossa Nova” e “Carnavalesca” me parecem ter mais DNA que “Brazuca”. Afinal, a música é, ao lado do futebol, o maior produto exportação do país no quesito cultural, certo? Agora “Brazuca” exporta o quê?

Por falar em DNA, claro que a minha preferência era por “Gorduchinha”. Caramba, seria uma bola com história, com um DNA nobre de um cara sensacional como Osmar Santos, dono de uma trajetória de vida admirável como a de trocentos brasileiros por aí.

No meio disso, eu me imagino, daqui 10 anos, pegando uma “Brazuca” na mão e explicando para o herdeiro que as bolas da Copa passaram a ser batizadas desde 1970. Cada uma tem uma história bacana, mas “Brazuca”, bem, “Brazuca” foi eleita na internet, olha que legal. E é isso.

Ainda tem o lance do “z”, americanizado mesmo, por causa do registro da marca. E ainda pinta a história que “Brazuca” é uma maneira pejorativa para os portugueses falarem dos brasileiros, com “s”. A fonte, segundo o jornal “O Dia”, é a ABL (Associação Brasileira de Letras).

O pacote “Brazuca” veio acompanhado de um tatu-bola, que será a mascote da Copa. Pelo menos é o que diz a revista “Veja”, que completa: o nome do bicho, que lembra o Sonic do Mega Drive, será escolhido em votação na internet.

Primeiro, por que raios um tatu-bola? Se for pelo trocadilho do nome, é demais, não? É como chamar um churrasco na praia de, sei lá, peixe-boi. Genial a piada, não? Deve ser para mostrar claramente que essa Copa tem tanto labirinto nebuloso que só um tatu-bola para encontrar alguma coisa por ali. Segundo, por que raios votação popular? É capaz de chamarem o bicho de “Brazuca”, aí alinha tudo, fica um nome só e é mais fácil pra gente guardar, né? Opa, pensando nisso, mais uma ideia espetacular: por que não chamar o tatu-bola de bicho-preguiça? Tudo em prol do hífen!

Tenho pena do meu herdeiro imaginário. Acho que vou contar duas histórias para ele. A verdadeira, sem graça, e a minha versão, bem mais temperada. Aposto que ele vai gostar mais da segunda opção.

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Andrés, Mano e um processo de fritura

Mano e Andrés - Foto: Rubens Cavallari/Folhapress

Mano e Andrés - Foto: Rubens Cavallari/Folhapress

Estou longe de ser fã de Mano Menezes e não gosto da postura de Andrés Sanchez. Mas concordo com a “fritada” que o diretor de seleções fez com o treinador, em entrevista ao jornal “Extra”. Abaixo, dois momentos que chamam a atenção pela sinceridade:

“A ninguém [está agradando]. Nem o Mano está ‘se agradando’. Lógico que ele sabia das dificuldades que teria em um ano e meio. Ele agora vai pôr em prática o que já viu que precisa ser feito até a Copa do Mundo.”

“Mas não é por ser medalha de ouro, prata ou bronze que ele vai ser trocado ou não. Se for trocado, será pelo dia a dia que ele vem fazendo. Não vai ser por um campeonato.”

Pra mim, fica claro, a cada jogo, que Mano não será o técnico da seleção na Copa. Não sei quem será o escolhido, mas acho que ele não aguenta até lá. O pior de tudo isso é que a fritura não é Andrés, ele apenas jogou no ventilador muito do que todo mundo pensa. O fato é que o próprio Mano está se afundando no cargo. E a seleção vai junto.

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2014: a Copa da roubalheira, da higienização urbana e da dor de um caro legado

2014, um elefante branco - Arte: Dri Matsuda

2014, um elefante branco - Arte: Dri Matsuda

Quem lê esse blog sabe que defendo a Copa do Mundo no Brasil, desde que as pessoas que realmente mandam fossem completamente diferentes. Como não são, sou fervorosamente contra tudo isso, especialmente, a farra com o dinheiro público, ou seja, o meu, o seu, o nosso dinheiro. Tudo revertido para o Mundial. Ou melhor, para os bolsos de alguns por aí. E não sou eu que digo isso.

“Está tudo muito atrasado. Algumas obras de mobilidade urbana chegam a 80% de atraso. O rombo vai passar de 100 bilhões nessa Copa. Quando chegar as obras emergenciais, aí todo mundo vai roubar pelos cotovelos. Vamos ter de abrir presídios novos pra colocar o pessoal, pois vai faltar lugar [na cadeia].”

A frase acima foi dita por nada mais nada menos que Romário, na semana passada, em entrevista ao UOL (clique ali e leia a notícia completa). Vale lembrar que o ex-atacante é deputado federal e está vendo, bem de perto, o que está rolando. Sabe o que fala, pois.

“Não se faz nada nesse país sem levar vantagem (…) Na Bahia, o pessoal fala que o Antônio Carlos Magalhães faz, mas rouba. Pior é roubar sem fazer nada. Isso que é duro. Que roube, mas faça alguma coisa, que deixe algum legado para que seja aproveitado.”

Mais uma frase que não é minha. O autor é Vampeta, campeão mundial em 2002, cheio de amigos aqui e ali e conhecedor dos bastidores do futebol, seja o lado engraçado, seja o lado podre. No caso, bem podre. (Clique aqui e leia a entrevista completa no bom programa “Kajuru Pergunta”, de Jorge Kajuru, no Esporte Interativo).

“Eu fiquei muito feliz quando soube que a Copa vinha para o Brasil, para Natal. Mas, para trazer infelicidade da gente, também, é triste.”

Olha só, mais uma frase que corrobora o meu escárnio por tudo que está acontecendo. A frase é da professora Maria do Socorro, entrevistada pela ESPN Brasil na série especial “Areia Movediça, a Copa sob as Dunas” (aqui, nesse link, está o programa inteiro), sobre a bizarrice que está acontecendo com Natal. Sabe aqueles programas para ver e rever, para ficar indignado, para não acreditar que tudo isso está acontecendo debaixo dos nossos narizes? Pois é.

Sabe o motivo da frase da professora? Uma tal “política de higienização urbana”. Luis Alberto Volpe, o narrador da série, explica que é uma política “que afasta os pobres de regiões valorizadas pela especulação imobiliária”.

A expressão “higienização urbana” soa, para mim, como nazista. Sabe aquele lance de “elite ariana”? Sério mesmo, é isso que está acontecendo, e não apenas em Natal. A capital potiguar é apenas um exemplo. O programa é digno de tudo que é prêmio pela maneira como revela a realidade, nua, crua e revoltante, desse Mundial. (Clique aqui e assista ao sensacional “Areia Movediça, a Copa sob as Dunas”, dos não memos sensacionais Roberto Salim e Marcelo Gomes).

E aí me vem o Ronaldo e diz que é a “Copa do povo”. Bebeto, aquele que quase chorou com a saída de Ricardo Teixeira, idem. Mas a que preço, hein? O meu preço é o imposto que eu pago para saúde, educação e tudo mais, o meu preço é aquele que dói no meu bolso. Em Natal, como em outras sedes, o preço dói na pele e na alma. Esse é o legado da Copa. Um legado caro. Revoltante. E doloroso.

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Romário, Bebeto e Ricardo Teixeira: questão de caráter

Bebeto e Romário - Foto: Arquivo, Arte/Ricardo Zanei

Bebeto e Romário - Foto: Arquivo, Arte/Ricardo Zanei

A diferença entre Romário e Bebeto, em campo, foi enorme. Fora dele, é gritante. Romário já foi amigo de Ricardo Teixeira, mas virou inimigo mortal. Se for para mudar de opinião, que seja pra melhor, e Romário fez isso. Já Bebeto sempre foi alinhado com o dono do futebol brasileiro e, ao que parece, ficou tristinho com a saída do manda-chuva. Fica no ar uma única questão: caráter.

Romário, deputado federal
Dei um print no que ele escreveu no Facebook, mas ficou um lixo, então você pode ler aqui embaixo ou na própria página de Romário no Facebook:

Romário no Facebook - Foto: Reprodução

Romário no Facebook - Foto: Reprodução

“Boa tarde, Galera!

Hoje podemos comemorar. Exterminamos um câncer do futebol brasileiro. Finalmente, Ricardo Teixeira renunciou a presidência da CBF. Espero que o novo presidente, João Maria Marin, o que furtou a medalha do jogador do Corinthians na Copa São Paulo de Juniores, não faça daquele ato uma constante na Confederação. Senão, teremos que exterminar a AIDS também.

Desejo boa sorte ao novo presidente e espero que a partir de hoje (acho muito difícil e quase impossível) a CBF dê uma nova cara para o nosso futebol.

Tô muito feliz em saber que participei deste momento de vitória e de mudança para o futebol brasileiro. Não só acredito, mas também espero, que uma limpeza geral deve ser feita na CBF. Só então, definitivamente, poderemos ficar tranquilos de que a mudança acontecerá em todos os sentidos.

Valeu, Galera. Abraço!”

Bebeto, deputado estadual
Bebeto deu uma longa entrevista ao “Arena SporTV”, na qual mostrou até uma voz embargada ao falar de Ricardo Teixeira. Para quem está na comissão do “legado da Copa”, defender o presidente da CBF é, no mínimo, ridículo. Fora as frase feitas de político mesmo, como “fazer o melhor para o nosso povo” e outros tantos blablablas. Assista à entrevista completa e tire suas conclusões. Abaixo, algumas frases de “efeito”:

“Fui pego de surpresa com a saída do Ricardo. Uma pessoa da imprensa me ligou e falou que ele tinha saído. Fico triste com o que aconteceu. Fui campeão mundial e melhor jogador da Copa América de 89 com ele como presidente.”

“Acho que não podemos esquecer o trabalho que ele fez na Seleção. Por mim, foi o homem forte que trouxe a Copa para o Brasil.”

“Temos que procurar fazer o melhor para o nosso povo.”

“Sou mais um voluntário, sempre pensando no povo brasileiro.”

“Fico triste pelo Ricardo ter saído. Foi quem me convidou para ser um dos membros do COL, mas a vida continua.”

[sobre o trabalho no COL] Acredito que não vai mudar nada e, se mudar, não tem problema nenhum.”

Uma pena que o vídeo não mostra Bebeto falando sobre Jérôme Valcke. O ex-jogador só ouviu falar que o interlocutor da Fifa tinha dito o que disse, mas acredita que houve falha na tradução. Sério, Bebeto, sério?

O resumo da ópera é simples: 2012, ano de eleição. Lembre-se disso!

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Dia de festa: o fim de Ricardo Teixeira e Ângelo Máximo

Ricardo Teixeira, adeus! - Foto: Divulgação

Ricardo Teixeira, adeus! - Foto: Divulgação

Chegou o dia, minha gente. Vamos colocar o bloco na rua. Sim, é dia de festa. Caiu o maior ditador do futebol mundial! E, finalmente, a Copa-2014 serviu para alguma coisa! Como diria Sandra de Sá, bye, bye, Teixeira, não precisa voltar!

São dois momentos, dois sentimentos que se unem. O primeiro é o de extrema felicidade. Caramba, eu achei que eu ia morrer e esse dia não ia chegar. Chegou! Ainda há esperança!

Ainda há esperança? O segundo sentimento é o de incerteza. Para falar a verdade crua, nessa hora zero, nada muda. A coroa segue com a mesma patotinha.

Mas, de qualquer forma, o mais difícil aconteceu. É o primeiro passo. Mais alguns bilhões e teremos o verdadeiro choque de decência que a nossa sociedade precisa, não apenas no futebol, mas em todos os níveis.

Sinceramente, eu ainda não acredito que Teixeira largou o osso. Caramba, caramba. Enfim, é dia de festa. E que festa. O maior carnaval fora de hora da história. E que não tenha hora pra acabar!

P.S.: É o tipo de festa que precisa de uma música que capte a felicidade do momento. Vai, Ângelo Máximo, solta a voz, meu garoto!

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Fifa, Brasil, Copa e a torcida para um contrato ser rasgado

Uma Copa do Mundo deteriorada - Foto: Divulgação / Arte/Ricardo Zanei

Uma Copa do Mundo deteriorada - Foto: Divulgação / Arte/Ricardo Zanei

Tudo começou com um show de educação, coisa fina mesmo. A troca de farpas entre Jérôme Valcke, Marco Aurélio Garcia e Aldo Rebelo chegou a um nível quase “RicardoTeixeirístico”, com o seu “cagando de montão”. Mas, confesso: estou torcendo para a Fifa.

Valcke falou a verdade, mas com um palavreado estúpido. Aí o governo Dilma reagiu – com total e absoluta razão – e quer que o cara não seja mais o interlocutor da Copa. Até aí, ação e reação, tudo justo. Aí o Blog do Juca Kfouri traz a notícia que há uma cláusula no contrato da Copa que permite à Fifa rasgar o papel e fazer o Mundial em outro lugar, como você pode ler abaixo:

“E a semana começa com uma tremenda saia justa e uma espada sobre a cabeça porque até junho a Fifa pode desistir de fazer a Copa no Brasil sem ter de pagar um tostão de multa. É claro que esta é uma hipótese remota, impensável mesmo, jamais acontecida. Mas…”

Chama a atenção a frase “sem ter de pagar um tostão de multa”. E quando se fala em dinheiro, essa patotinha envolvida não quer perder, ou melhor, deixar de ganhar um centavo. A Fifa acha que as coisas estão atrasadas, mas parece que ela não sabe que aqui é o Brasil, que as coisas são entregues aos 48min do segundo tempo justamente por causa da grana. E, claro, não podemos esquecer que esse é ano de eleição.

Posso dizer que, diante de tal situação, nunca torci tanto para a Fifa. Não estou traindo a pátria não, pelo contrário. Mas a minha torcida é para que a entidade rasgue de vez essa papelada e jogue o Mundial onde quiser, mas o tire daqui. Como explicar isso?

Acho que o Brasil tem condições de realizar uma bela Copa, mas o problema são as pessoas que estão por trás disso. É o tipo de gente que você compra um carro zero e vai ter problemas.

Se eu fosse dirigente, também gostaria e brigaria para ter uma Copa por aqui. Pense bem: eu trabalho com futebol e não vou querer o maior evento mundial da bola no meu país? Mas eu não sou cartola, sou cidadão, e o que estão fazendo com o nosso dinheiro é uma verdadeira palhaçada.

Por isso, torço para a Fifa, para que o contrato vá para o limbo. Seria algo sem precedentes no futebol mundial. Mais do que isso, seria um tapa na cara sem precendentes em quem está aí construindo estádio, ou melhor, atrasando obra, fritando o dinheiro público a torto e a direito. Talvez se tornasse o choque de decência e honestidade que a nossa sociedade precisa. O problema é que a Fifa é a Fifa e, bem, tem aquele ditado dos “100 anos de perdão”…

Enfim, não vai acontecer, mas, que seria lindo, seria.

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